Histórico

       As sementes crioulas, segundo a legislação brasileira também é chamada de sementes de variedade local ou tradicional, são aquelas conservadas e manejadas por agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais e que, ao longo de milênios, vêm sendo permanentemente adaptadas às formas de manejo dessas populações e aos seus locais de cultivo.

       Uma característica fundamental dessas sementes é sua grande diversidade genética. O manejo de diversas variedades para cada espécie cultivada (além do plantio consorciado de várias espécies) constitui uma importante estratégia para segurança alimentar de agricultores familiares. A diversidade intraespecífica, nesse caso, constitui um fator promotor de resiliência aos sistemas produtivos, conferindo maior resistência aos ataques de pragas e doenças, bem como às próprias variações do clima.

       Outro dado relevante a ser destacado é o conhecimento associado aos recursos genéticos locais que guardam as famílias agricultoras. Ressalte-se, nesse contexto, o papel dos chamados guardiões de sementes, ou guardiões da biodiversidade: agricultores que manejam e conservam um grande número de espécies e variedades cultivadas e que sobre elas detêm vasto conhecimento. Estes Guardiões promovem um enfrentamento o modelo de agricultura pautada no agronegócio e no monocultivo.

       Nesse contexto, um grupo de guardiões de sementes crioulas do estado de Mato Grosso do Sul, juntamente com a Comissão Pastoral da Terra, reuniram-se em 2004 para iniciar uma discussão sobre os desafios da Agricultura camponesa, do uso das sementes crioulas, do não uso de agroquímicos, entre outros. Decidiram criar uma feira que promovessem a troca das sementes e também de experiências através de cursos e oficinas.

       Dessa forma, em 2005 foi realizado a 1ª Feira das Sementes Crioulas e Produtos Orgânicos de Juti, foi uma edição tímida, com a participação de cerca de 250 pessoas. Com o passar dos anos a Feira ganhou novos parceiros e hoje a nobre missão de organização está a cargo da Universidade Federal da Grande Dourados, Comissão Pastoral da Terra, Prefeitura Municipal de Juti, Embrapa Agropecuária Oeste, Instituto Cerrado Guarani e Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul.

       O objetivo principal da feira é a troca de sementes crioulas, contudo a partir das discussões geradas durante as edições anteriores, a 5 anos a trás iniciou-se a discussão sobre a preservação do cerrado, uma vez que a maioria dos participantes se encontravam inserido neste bioma. Assim houve o 1° Seminário sobre Uso e Conservação do Cerrado juntamente com a 8° Feira das sementes Nativas e Crioulas de Juti. O evento foi bastante representativo no contexto regional, com a participação de agricultores, comunidades tradicionais, acadêmicos e pesquisadores inclusive de outros estados, teve a participação de 720 pessoas.

       Após essa experiência a comissão dá um passo a mais para 2013, incluindo a apresentação de resumos científicos e relatos de experiência, nesta edição foram 845 pessoas participantes a apresentação de 20 trabalhos. Em 2014 foram apresentados cerca de 60 trabalhos e o evento contou com a participação de 920 pessoas de várias localidades do pais.

       Em 2015 foram apresentados 56 trabalhos nas modalidades trabalho completo e relato de experiência contou com um público de 986 pessoas de diferentes regiões do país, proporcionando ao município uma visibilidade nacional, foram oferecidos 20 minicursos/oficinas e trocou-se 500 quilos de sementes crioulas e 1500 mudas de espécies nativas.

      Em 2016 este tradicional evento completa 12 anos tem por objetivo estimular entre os agricultores familiares, comunidades tradicionais e instituições de ensino a troca de experiência, e saberes o intercâmbio e discussões que visem a adoção e a propagação de práticas de uso sustentável dos recursos naturais; bem como propiciar as trocas de sementes nativas e crioulas, e de experiências através das oficinas temáticas realizadas.

Realização: UFGD - APOMS - CPT - EMBRAPA AGROPECUÁRIA OESTE - INSTITUTO CERRADO GUARANI - PREFEITURA MUNICIPAL DE JUTI

Apoio: NATURAECON - FUNDECT - CNPQ - COOPERFAMILIAR - FACULDADE ANHANGUERA DE DOURADOS - IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBERI - PROEXT/MEC - AADS - DFDA/MS - RÁDIO CRIATIVA FM - SFA/MS - SINTRAF/JUTI - FUNAI - SINDICATO RURAL/JUTI - AGRAER - CRESOL - SEPAF - FRIGORÍFICO JUTI

Desenvolvido por Julio Cesar P. Lobtchenko